Ode

"Ando nele e ele anda em mim, num invisível desenho da imensidão que vim. A areia que me fez, me desfaz. Se eleva sublime em sopro, nuvens formarás. Como num pairar de um guarda-chuva suspenso, que solto ao vento é a imagem do silêncio, o descobrir de alma intenso dos que procuram no espaço vazio o imenso. Sem o peso do mundo, o nada contemplo. Vem mudo, um vácuo no tempo. Exalo energia corrente de um rio, sobrevivente ao vazio por um fio. Ondas intercaladas a cavalgar. Incessantes na direção onde põe-se o mar. Destino de um delta sem inocência. Ode infinita à existência, imperfeita."